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Prioridade da Chefe da Polícia Civil é qualificar o atendimento ao cidadão

A chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, delegada Nadine Farias Anflor, revelou que sua maior missão é qualificar o atendimento ao cidadão. “Temos que enfrentar esse desafio.” Após 177 anos de instituição, a Polícia Civil gaúcha está sendo comandada pela primeira vez por uma mulher. “Quebra de Paradigmas” foi o tema do bate-papo da reunião-almoço MenuPOA, nesta terça-feira, 19, promovida pela Associação Comercial de Porto Alegre.

Segundo ela, nos seus quase sete anos de atuação na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher percebeu uma violência silenciosa contra as mulheres. “Em 2005, quando não havia a Lei Maria da Penha – sancionada em 2006 para proteger a mulher da violência doméstica e familiar -, o agressor só assinava um termo circunstanciado de ocorrência e ia embora.”

Para Nadine, a Lei Maria da Penha foi uma quebra de paradigma. “Fui atuar na Delegacia da Mulher para implantar essa lei.” Hoje são 22 postos em operação, que atendem cerca de 40 mulheres por dia e mais de mil ocorrências por mês. “A sociedade precisa fazer uma reflexão sobre isso”, acrescenta.

Nadine tem uma posição polêmica em relação a construção de presídios.  Ela é contra a construção de um Presídio Federal em solo gaúcho. “Junto com o preso vem a família e a facção. Minha sugestão é que cada município tenha seu pequeno presídio e cuide de seu preso, mas temos que enfrentar esse preconceito.”

A delegada entende que a polícia precisa investir em prevenção e não só repressão. Na Polícia Civil temos o “Papo de responsa”, programa com atuação junto às escolas de ensino fundamental, médio, sejam elas públicas ou privadas, na promoção de um diálogo descontraído sobre prevenção à violência e o papel do policial na sociedade, tendo como público alvo a interlocução com crianças, adolescentes e jovens. “A ideia é mostrar para o jovem que a polícia existe para proteger e não só punir.”

Outro projeto da Polícia Civil é Galera do Bem. O aluno, líder de turma (escolhido pelos colegas) é habilitado para mediar conflitos na escola. Ele recebe uma camiseta que o identifica com o mediador e o tornará referência entre seus colegas na mediação dos conflitos escolares.

Nadine lembrou a “teoria das janelas quebradas”, defendida pela primeira vez em 1982 pelos norte-americanos James Wilson e George Kelling.  A deterioração da paisagem urbana é lida como ausência dos poderes públicos, portanto enfraquece os controles impostos pela comunidade, aumenta a insegurança coletiva e convida à prática de crimes. “Temos que unir a sociedade, pois sozinha a Polícia Civil não vai resolver o problema da violência”.