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Novas gestoras da Bibi Calçados e Piccadilly mostram a força da sucessão através da capacitação e experiência

As novas gestoras da Piccadilly Company, de Igrejinha, e Bibi Calçados, de Parobé, têm diversas características em comum: terceira geração das famílias controladoras; as primeiras mulheres que assumem a gestão; compartilhamento das decisões e muita experiência em funções anteriores nas empresas.

“Sucessão Familiar: Quando Fazer?” foi o tema do bate-papo com Andrea Kohlrausch, diretora presidente da Bibi Calçados, e Ana Carolina Grings, vice-presidente da Piccadilly Company, que aconteceu nesta terça-feira, 23, durante a reunião-almoço MenuPOA, promovida pela Associação Comercial de Porto Alegre. Ambas, representam

O processo de sucessão na Bibi Calçados – com 70 anos de mercado – começou há sete anos, quando o então presidente Marlin Kohlrausch provocou a família sobre a sucessão e sustentabilidade no futuro. Com mais de 20 anos de trabalho na Bibi, Andrea Kohlrausch, filha de Marlin, foi a escolhida.  Ela tem experiência na área internacional e liderou a estruturação da Bibi Franchising, expandindo o projeto de lojas exclusivas da marca para mais de 60 cidades em 23 estados brasileiros, além dos pontos internacionais.

Segundo Andrea, houve a percepção que a Bibi não seria marca global sem entrar no varejo. “Então começamos a testar a franquia no Brasil. De fato, se não tivéssemos entrado no varejo, talvez a marca não existisse mais.”  Agora, a Bibi, que já exportava com marca e design, está levando o modelo de negócio. Há dois anos, os parceiros e distribuidores no Peru apostaram no varejo e abriram quatro lojas em Lima e está prevista mais duas no segundo semestre. “Na Bolívia temos parceiros que trabalham varejo e já abrimos uma loja, sempre com a nossa marca”, completou.

Na Piccadilly – com 64 anos de atuação -, a partir de 2005 foram contratadas consultorias para governança corporativa e psicológica, que começaram a abordar o tema sucessão. O então presidente Paulo Grings instigava que todos os herdeiros pensassem numa solução, pois não pretendia decidir por um e magoar os preteridos. Eles optaram pela votação e a escolhida, por unanimidade foi Cristine Grings Nogueira, sobrinha de Paulo, que assumiu a presidência em 2015, e Ana Carolina Grings, filha, ficou com a vice-presidência.  

A nova diretoria da Piccadilly implantou um Conselho de Administração como apoio nas decisões mais estratégicas. “Foi fundamental para nova diretoria decidir com essa visão de fora. O Conselho decidiu pelo reposicionamento da marca Piccadilly que estava na mesa sem uma decisão”, revelou Ana Carolina.

Além disso, foi lançada uma nova marca com a linha de sapatilhas So.si, que está sendo trabalhada de forma independente. As vendas em quiosques em shoppings surpreenderam, o que mostra que mesmo em períodos difíceis de mercado há espaço para o consumo de design.

A Piccadilly ainda está no estágio inicial na área do varejo. “Ser varejo é mais complexo do que produzir.  Estamos apenas com duas franquias nos shoppings Praia de Belas e Barrashopping Sul, idealizando várias lojas”, conforme Ana Carolina. “Estamos na fase que o franqueado quer abrir uma loja por acreditar no potencial da marca, mas não tem regras, nem projeto padrão. É só a venda com exclusividade dos nossos produtos.”