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Principal preocupação da ACPA é com a alta carga tributária no setor – Jornal do Comércio

A sufocante carga tributária incidente sobre todas as atividades – não apenas do comércio, mas dos setores produtivos em geral – é tema recorrente de debates entre líderes, por exemplo, da indústria e do comércio. A promessa do governo federal de equalizar a cobrança e concentrá-la em uma única sigla, o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) é uma das esperanças dos empresários para ter maior clareza do que é pago e conseguir desafogar a reincidência de impostos sobre a mesma cadeia. O presidente da Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), Paulo Afonso Pereira, é um dos líderes que clama por mudança nas cobranças feitas pelas esferas governamentais. Ele argumenta que cerca de 50% do total faturado pelos comerciantes é destinado a pagar débitos referentes aos tributos. “Imagine: você compra um produto por R$ 5,00 e vende por R$ 10,00. Do seu lucro, R$ 2,50 são exclusivamente para pagar impostos. O restante, é necessário dividir com aluguel, salários, o próprio sustento dos empresários. É algo fora da realidade”, diz o líder da ACPA. Além disso, ele reitera o retorno quase inexistente para a população de todo o dinheiro dirigido ao poder público, que deveria voltar em investimentos em setores importantes da sociedade. O fechamento de centenas de lojas, na visão de Pereira, é fruto da dificuldade de vários empresários em lidar com a obrigatoriedade dos impostos. As cobranças, geralmente, acontecem em dias diferentes ao longo do mês, o que compromete o fluxo de caixa e leva, por esse motivo, a complicações para não fechar o mês no vermelho. “Alguns novos empreendedores também não têm a consciência de como administrar bem o seu negócio. É algo que batemos na tecla insistentemente na associação: a qualificação”, afirma. Por consequência da inadimplência, o governo faz as cobranças de modo que os empresários ficam com restrições no mercado para a tomada de crédito. A bola de neve acumulada por meses sem boas vendas, aliadas à dificuldade em obter dinheiro junto aos bancos também é vista como demasiada pelo presidente da ACPA.

Pereira entende que o governo tem o direito de buscar os créditos, contudo, não poderia simplesmente inabilitar o empresário de tentar rever seus problemas. “Isso que o governo faz (as cobranças de impostos atrasados) freia o desenvolvimento dos negócios, deixa estagnada a atividade econômica. É maléfico para todos, não há quem saia ganhando com isso. O empresário precisa vender seu carro, sua casa para pagar, e o governo não sabe quando irá receber. O consumidor, por sua vez, perde uma opção, afinal, a loja tende a fechar. É exagerado”, explica. Pereira vê algumas alternativas para tentar dirimir os impactos da carga tributária nos negócios. A primeira delas seria desonerar o consumo. A ponta final de toda a cadeia comercial é que acaba pagando por todos os impostos, percebe o presidente da Associação Comercial. “Todo o acumulado é colocado para o consumidor pagar. Isso é justo?”, indaga.

Em países desenvolvidos, a diminuição da carga tributária ao cliente impulsionou as vendas e trouxe poder de compra aos menos favorecidos economicamente, ressalta o dirigente. As alíquotas, geralmente, são levadas para o Imposto de Renda, cuja tributação é proporcional aos ganhos, gerando maior justiça na cobrança. O segundo ponto seria uma “refundação da República”, salienta o líder da ACPA. Essa reestruturação passaria pela diminuição de privilégios ao setor público e uma melhor distribuição da arrecadação da União para com estados e municípios. Dessa forma, segundo ele, haveria maior possibilidade de investimentos e os impostos arrecadados poderiam ser dirigidos para as reais necessidades do País, como educação e saúde.

Circuito de palestras aborda temas de interesse dos empresários associados – Jornal do Comércio

Lançamento ocorrerá no segundo semestre deste ano e quer debater assuntos de interesse geral LUIS VENTURA/DIVULGAÇÃO/JC

A partir do segundo semestre desse ano, a Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA) lança um novo projeto, chamado de Banco de Palestras. A ideia é credenciar os associados para compor um rol de palestrantes, cujo objetivo é projetá-los para que as empresas que compõem a ACPA possam contratar ou convidar esses profissionais para ministrarem palestras ou treinamentos. A iniciativa veio a partir de uma demanda dos empresários que já atuam dessa forma e possam desempenhar, com o auxílio da associação, essa atividade. As palestras também estão em enfoque num outro projeto, no qual será elencado um tema mais importante a ser debatido pela ACPA e, a partir dessa escolha, será divulgado um edital para chamar um profissional – integrante ou não – para ministrar a palestra. A intenção é trazer um especialista por mês para tirar dúvidas e apresentar novidades sobre o tema escolhido.

O presidente da ACPA, Paulo Afonso Pereira, conta que os eventos com palestrantes são praxe, mas a formalização destes novos projetos servirá para ampliar essas ações e, principalmente, unir os integrantes da entidade em prol da constante atualização sobre os mais diversos assuntos.