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A flexibilização e o retorno gradual do comércio

A flexibilização para a abertura do comércio e serviços é uma das bandeiras defendidas pela Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA). Após muito diálogo com os gestores públicos e uma força-tarefa de várias entidades de classe, foi ampliada a autorização para o funcionamento de alguns segmentos do comércio e serviços.

O retorno parcial das atividades aconteceu na semana do Dia das Mães, segunda data mais importante para o comércio, ficando atrás apenas do Natal. Para o comerciante Luiz Carlos, proprietário da loja de confecção Basics Comércio, a semana foi muito boa. Na percepção do empresário, alguns fatores contribuíram para o bom resultado: a temperatura amena, a permanência dos shoppings centers fechados e, o mais importante, a demanda reprimida. “Das vendas realizadas na semana, em torno de 10% a 12% foram em presentes para o Dia das Mães. Foram muito baixas as compras destinadas às mães, mas em termos de venda no geral, foi muito bom”, relata Luiz.

Com o retorno das atividades o empresário Luiz Carlos adotou algumas medidas de segurança, como o uso obrigatório de máscara pelos clientes e funcionários, álcool gel na entrada do estabelecimento e controle no número de pessoas dentro da loja. O comerciante comenta que os clientes foram bem solícitos, conscientes e respeitosos com a situação.

Gerente e proprietário de duas lojas, uma localizada em shopping, no dia em que foi reaberta a loja de bairro havia completado 48 dias que o estabelecimento havia ficado fechado. O comerciante diz que o tempo de isolamento para os negócios foi exagerado. Ele acredita que a população teria seguido as recomendações de prevenção sem ter sido necessário o distanciamento social tão longo.

Para a diretora administrativa da Casa Clima Aquecedores, Janaina Costa, a retomada das atividades está sendo lenta e reflexiva para o negócio. Segundo ela, para este período a agenda para os serviços relacionados a aquecedores, devido à proximidade do inverno, estaria completa até o meio da semana. “Hoje, tenho disponibilidade somente para o dia seguinte”, salienta. A pandemia mostrou uma mudança de comportamento do cliente, que antes chamava para o conserto à domicílio e hoje ele mesmo leva o equipamento até a loja. “Ele mesmo quer consertar. Atendendo assim, fidelizamos o nosso cliente”, revela Janaina. Com essa mudança de perfil, a empresária está projetando um novo layout para atendimento na loja.

Outro aspecto percebido em meio à pandemia foi a concorrência desleal via internet. A empresária conta que a maior parte dos produtos vem de São Paulo, o que torna inviável a competição com quem é daquele estado e compra direto na fonte. “Já recebemos do nosso principal fornecedor uma tabela de preços que já está em vigor com 8,5% de reajuste e já está programado outro aumento”, desabafa a comerciante. “Fiz os cálculos e não tem como acompanhar os preços praticados na internet. Não existe margem de lucro. Não cobre o meu operacional”, completa.

Uma mudança revelada pela proprietária é a reestruturação do site para se tornar uma plataforma de e-commerce. “De qualquer forma, iremos continuar enfrentando a concorrência desleal, pois os impostos pagos no estado são mais caros do que no restante do país”, desabafa Janaína, complementando que ocorre o mesmo com o custo do frete. A mudança nos serviços oferecidos também está em análise. Segundo Janaina, estão analisando a forma de atender esse novo público consumidor dentro do próprio negócio se irão focar na venda do produto novo ou no conserto.

Na avaliação da empreendedora, o empresário gaúcho é muito penalizado com impostos de forma desleal, e analisa que a “mão de obra dispensada com a suspensão da atividade econômica vai trabalhar na informalidade, sem nota, sem local estabelecido e, consequentemente, o preço dele vai ser bem menor que o meu, que tenho uma carga tributária alta”.