A mais recente edição do tradicional MenuPOA Online teve como convidado o jornalista, empresário, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Previdência Social Antonio Britto. Com o tema “O RS e o Brasil vistos de fora”, a conversa ocorreu com mediação do presidente da Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), Paulo Afonso Pereira, e o Presidente do Conselho da entidade, Humberto Ruga.

Antonio Britto, que atualmente reside em Miami, nos Estados Unidos, expressou, pelo menos, duas preocupações com o Brasil: a imagem deteriorada no exterior e o mal investimento do dinheiro público. Quanto ao primeiro aspecto, o ex-governador respondeu que, de tempos para cá, “a imagem do Brasil caiu muito. Isso tem a ver com a forma como o governo federal conduz a questão do meio ambiente e o combate à pandemia”, afirmou. “Também tem a ver, na minha opinião, com a incomum vinculação do governo brasileiro com o atual presidente norte-americano, Donald Trump, o que gera uma resistência na corrente que até o momento é majoritária nos Estados Unidos, que são os Democratas”, explicou.

Para Britto, quando a imagem política, diplomática e cultural está prejudicada, os negócios acabam “pagando parte da conta”. Ao reclamar da má aplicação dos recursos públicos, o chefe do executivo gaúcho entre os anos de 1995 e 1999 citou uma pesquisa do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), conduzida pelo economista Marcos Lisboa: “Esse estudo tem a coragem de dizer que precisamos dar absoluta prioridade ao combate à desigualdade e à pobreza. No entanto, e aqui está a coragem, se não houver política pública eficiente, o dinheiro é gasto, o discurso é feito e a miséria segue igual”, observou.

Na visão de Britto, o Brasil e o Rio Grande do Sul têm gasto cada vez mais, mas também temos cada vez pior, o que resulta em um equilíbrio perto de zero. Como exemplo, ele diz: “Dobramos o gasto com educação, mas a qualidade do ensino fica muito longe de sequer aumentar”.

Noutro exemplo, o ex-ministro do Governo Itamar Franco ressaltou: “Quanto ao benefício emergencial durante a pandemia, milhares de brasileiros que não tinham direito estão recebendo o benefício e milhões de brasileiros que precisam não estão recebendo. Por quê? Porque o Brasil faz biometria para a eleição, tem um sistema de Receita Federal moderníssimo, mas não sabe quem são, como estão e nem onde estão os brasileiros pobres”.

Ao ser questionado sobre a possível reeleição do atual presidente americano, Donald Trump, Britto finalizou dizendo que o presidente perde por não ter conseguido cumprir algumas propostas de campanha, que foi a recuperação da economia, a forma errática nas tratativas da pandemia da COVID-19 e, por fim, o chamado “estilo Trump”, que segundo Britto, “serve para eleger e também para não reeleger”.

O evento completo está disponível através da página da ACPA no Facebook @AssociacaoComercialDePoa.

 

Publicado em: 14 de julho de 2020

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