A pandemia mostrou que prever algo depende de vários fatores muitas vezes imprevisíveis. O “The Economist”, publicação inglesa de notícias e assuntos internacionais de propriedade da The Economist Newspaper Ltd, apresentou recentemente 20 pontos relacionados a diversos setores para o ano de 2021, que confirmaram essa imprevisibilidade.

O economista e professor do programa de economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Gustavo de Moraes, afirma que os apontamentos se realizarão a médio ou longo prazo, ou seja, não ocorrerão ainda em 2021. “A proposta encontra um pouco de desvio no sentido de que o ‘The Economist’ se propõe a discutir o ano de 2021, e ela apresenta tendências ou supostas tendências a médio e longo prazo”, afirma.

Gustavo diz que não há nenhuma novidade apresentada nas tendências. Na verdade, a pandemia da COVID-19 não trouxe nenhuma pergunta nova: apenas acelerou as existentes anteriormente. “Já existia uma tendência ao ensino online, por exemplo, um ensino que no futuro pudesse até massificar a educação. A pandemia fez com que fosse adotada em larga escala pelas entidades de ensino”.

O especialista aponta outra tendência antecipada pela pandemia: o comércio online. “Também já havia uma tendência crescente no mundo e a pandemia apenas acelerou. Então, eu reforço: a pandemia não trouxe nenhuma pergunta nova, ela apenas traz perguntas mais urgentes”. E completa: “Nesse sentido, eu digo que a ‘The Economist’ comete alguns exageros. É possível pensar que algumas previsões e tendências apontadas serão percebidas no médio e longo prazo, mas não no ano de 2021 ou 2022”, considera.

De acordo com Gustavo de Moraes, os especialistas da publicação inglesa dizem que as soluções para os problemas sociais estarão disponíveis através de startup ou organizações da sociedade civil de forma eletrônica ou à distância por meio de novos formatos tecnológicos. “Vamos entrar numa era muito difícil, especialmente para países periféricos como o Brasil, no qual a mão de obra está treinada para exercer determinados tipos de atividades que deixarão de existir”, afirma.

Ainda de acordo com Gustavo algumas atividades já estavam em processo de extinção e a pandemia apenas vai acelerar ainda mais que deixem de existir. O economista diz ainda que retreinar a mão de obra em outro nível é uma atividade muito difícil e custosa, especialmente para países massivos como o Brasil. “Vejo até que, nos próximos anos, em função do aumento no número de vagas em outras atividades, nas quais nós não estávamos habituados, nós vamos ter um problema social muito sério. Vamos enxergar vários trabalhadores à margem da sociedade”, prevê.

Para o futuro, o professor projeta o crescimento de alguns setores altamente produtivos dentro da sociedade, como tecnologia da informação e comunicação, serviços educacionais e setores ligados à indústria. “Vai ampliar o fosso. Eu temo até a existência da própria classe média com essa tendência”, pressupôs Gustavo.

Em sua conclusão, o economista e professor do programa de economia da PUC-RS afirma: “Em regra geral, pareceu-me um futuro muito otimista previsto pela The Economist, principalmente para países periféricos”.

Confira as 20 tendências apontadas pelo “The Economist” sobre 2021:

1-Os humanos querem se socializar novamente, mas o trabalho remoto basicamente permanecerá o mesmo. O modelo de trabalho misto não é realista, vamos simplesmente continuar a trabalhar online a partir de nossas casas cada vez mais adaptadas e com reuniões em lugares divertidos e diferentes todos os meses para socializar e conectar. Vários espaços serão criados para grandes reuniões digitais com todas as soluções resolvidas. Ninguém quer viver no trânsito ou naquele redemoinho de informações e voltar a trabalhar.

2-Escritórios fecham com uma porcentagem muito alta e esse modelo retrógrado é tomado por tecnologias disruptivas. A cada dia teremos mais assistentes digitais para trabalhar de forma eficiente. Essas grandes corporações serão sempre lembradas como os enormes mamutes de 1980-2020 em extinção. As pessoas nem sempre trabalham assim e não trabalharão para sempre no mesmo esquema.

3-Os hotéis de trabalho desaparecem em pelo menos 50%. Viagens, congressos ou reuniões de trabalho nunca voltam como eram se puderem ser feitos online.  O turismo de trabalho praticamente desaparece. As chamadas se tornam chamadas de vídeo. Painéis internacionais em painéis online. Os grandes congressos em sistemas tecnológicos. Lançamento de novos produtos em formato digital e tecnologias inovadoras. Congressos apoiados pela A.I. para receber experiências pessoais.

4-As casas tornam-se mais tecnológicas e adaptadas ao trabalho diário. Muitas empresas se dedicarão a resolver as necessidades de trabalhar em casa. A casa muda de local. Hoje você pode morar fora de uma cidade grande, trabalhar da mesma forma e gerar o mesmo valor. A localização física passa para um segundo mandato para empresas, mas para um primeiro mandato para trabalhadores.

5-A produtividade não depende mais de um chefe que te revê, agora é por meio de plataformas que te ajudam a medir resultados, KPIs e tempos eficientes. A forma de contratação de pessoal é repensada. Contratar os melhores do mundo hoje é mais fácil, barato e eficiente. Não haverá diferença entre contratar pessoal local e estrangeiro. Hoje somos todos globais.

6-Tudo o que é repetitivo torna-se virtual e em regime de assinatura. De igrejas, arte, academias, cinemas, entretenimento. Às vezes iremos para coisas físicas, mas os números não darão para manter as infraestruturas físicas que tínhamos antes. Poucos lugares podem manter alguns modelos abertos. Em breve, serviços sofisticados de RV para uso doméstico.

7-Empresas que não investem ao menos 10% em novas tecnologias irão desaparecer. A tradicional empresa chegou ao fim em 2020. Resta esperar sua morte final. Com recursos limitados, as empresas exigem mais certezas e melhores investimentos. Uma empresa de tecnologia, fresca e nova hoje, pode substituir outra que tem feito o mesmo nos últimos 50 anos. À medida que o modelo de “cozinha escura” cresceu, muitos serviços copiarão o modelo.

😯 turismo para entretenimento retorna plenamente fortalecido no segundo semestre de 2021, sempre acompanhado de muita tecnologia na sua operação, desde a compra, a operação e as experiências a serem recebidas. As pessoas apreciam mais do que nunca visitar o natural mas com soluções altamente tecnológicas. Locais mais remotos, experiências mais autênticas suportadas com assistência digital 24 horas por dia, 7 dias por semana. A interação é a base do entretenimento do futuro. Faça parte, experimente algo autêntico e descubra informações de forma dinâmica.

9-O tratamento de dados pessoais torna-se mais delicado e as grandes plataformas vão mudar. As pessoas voltam a pagar as assinaturas devido ao senso de transparência que isso envolve. Eles preferem pagar a doar seus dados. As grandes marcas hoje valem sua credibilidade. Tudo pode ser copiado ou replicado, exceto prestígio. O valor da empresa hoje depende de muitos fatores e não apenas de sua venda anual.

10-A força de trabalho é drasticamente reduzida e muitas operações simples são fornecidas ao I.A. Em 2024, o I.A. Ele já lidará com operações complicadas em milhões de locais. Mas a adoção convencional começa em 2021. Uma grande temporada global de demissões está chegando. O desemprego ocorre por motivos multifatoriais e não apenas por causa da crise econômica.

11-A educação nunca mais vai voltar a ser igual. Torna-se cara a cara, mas tecnologicamente adaptável. Cada um é o que precisa. Estudar offline e online será normal. Escolas e universidades são transformadas em um esquema híbrido para sempre. Volta ao esquema de contratação de pessoal altamente capacitado para ocupar cargos importantes, mas são aceitos candidatos sem formação universitária, para cargos de menor importância, que tenham a experiência necessária.

12-O sistema médico adaptado ao digital com tecnologia remota para sempre.  Uma consulta médica por teleconferência será normal. As pessoas continuarão com os testes rápidos de Covid ao longo de 2021 para se sentirem seguras. A vacina é muito rápida, mas você encontrará grandes desafios ao longo do caminho. Grandes hospitais repensam seu funcionamento devido às crises econômicas que sofreram com a Covid 19. As pessoas ficam menos doentes com vírus, bactérias e doenças devido ao manuseio inadequado dos alimentos, graças à limpeza recorrente do indivíduo comum.

13-Na economia pessoal se contrai, novas formas de gerar transações comerciais são utilizadas e as pessoas economizam mais. Uma alta porcentagem dos gastos da família vai para atividades que antes não eram remuneradas e vice-versa. A compra de itens como roupas elegantes é substituída por roupas casuais. A transformação radical dos hábitos continua em 2021. A eletrônica continua sendo o produto mais apreciado e adquirido por mais um ano.

14-E-Commerce continua a crescer, mas grandes players como Facebook, Tik-Tok e YouTube entram para competir com a Amazon. Fecha um percentual de 50% das lojas físicas globais. As lojas sobrevivem graças ao fato de serem experiências e showrooms, mas o comércio real no final de 2024 será maior online do que presencial em muitas áreas. Os grandes shoppings ficarão presos no tempo. Muito poucos sobreviverão a longo prazo.

15-Mudanças climáticas serão um tópico muito discutido e apoiado.  As grandes indústrias continuarão a se transformar e a I.A. para entendê-lo e operá-lo melhor. A adoção da bicicleta como principal meio de transporte continuará crescendo graças à transformação das cidades. Vamos passar da questão Covid para a Mudança Climática como a questão principal de uma forma natural. Uma oportunidade para a união global ajudar a transformar e resolver os grandes problemas.

16-Novos modelos de informações e notícias por assinatura com mais transparência ajudarão a disponibilizar conteúdo sem tantas “notícias falsas” Credibilidade e transparência serão a pedra angular de todas as empresas. As pessoas estão cansadas de tanta informação e preferem sistemas habilmente selecionados para interagir. A imediação continuará a ser altamente valorizada.

17- A saúde mental torna-se um tema recorrente e grandes plataformas ajudam as pessoas a enfrentar as situações de agressividade, solidão e angústia que vivenciaram durante o isolamento. Um dos grandes custos de 2020 é a complicação de trabalhar em equipe novamente. Muito trabalhar, muito a repensar. As crises de liderança nas empresas serão mais comuns a cada dia.

18-Os grandes problemas como educação, saúde, energia, segurança, política, destruição da classe média, ganham destaque e as soluções são desenvolvidas por empresas de tecnologia. Grande capital é investido para fazer o bem, enquanto os problemas globais são resolvidos. Empreendedorismo social no seu melhor com resultados financeiros muito substanciais.

19-Tudo vai para o natural e saudável.  Alimentos, experiências e forma de interação. 100% natural é hoje. Produzir a própria comida, meditar e se exercitar passa a fazer parte do dia a dia. A permacultura e os sistemas de produção pessoal eficientes estão crescendo exponencialmente. Todo mundo quer ser capaz de satisfazer suas necessidades pessoais de alimentação saudável.  Consumir local, mas real. Ser mais saudável é o “novo luxo”. Produtos suntuosos perdem valor e justificativa. A reciclagem está voltando muito mais forte depois de um ano de desperdício incontrolável, agora com grandes tecnologias que realmente iniciam e resolvem os problemas gerados no passado.

20-O mundo está vendo este ano como um novo começo. Um renascimento.  As pessoas vão repensar seus objetivos pessoais, de trabalho, saúde, dinheiro e espirituais. Grandes oportunidades estão surgindo para satisfazer todos esses requisitos e mudanças de pensamento.  Um novo começo com valores mais reais. Muitos comportamentos são transformados e nunca mais voltarão.  Acumular, consumir e viver pelo material vai para o lado negativo da conversa.

Fonte: The Economist

Publicado em: 25 de fevereiro de 2021

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