O cientista político Paulo Moura, a convite da Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), fez uma análise do cenário para a eleição à prefeitura de Porto Alegre. O especialista iniciou sua apreciação fazendo uma revisão das últimas eleições municipais, que segundo ele, indicam um padrão de comportamento que pode se repetir.

De acordo com Paulo, a eleição de quatro anos atrás começou com três candidatas ligadas à esquerda à frente nas pesquisas, as quais terminaram ficando de fora do segundo turno da votação. Dessa vez, como o PT se aliou ao PCdoB, a chapa liderada por Manuela D’Ávila está liderando as pesquisas.

Paulo destaca que há os eleitores que não querem a esquerda no poder e, por isso, se colocam num campo oposto, e comenta o seu comportamento na votação do ano de 2016. “Em eleições anteriores, esse grupo de eleitores, que não quer a esquerda, costumava ficar parado olhando a eleição e convergiam na reta final para votar em um nome para derrotá-la”, lembrou. Moura complementa: “Até agora, isso não aconteceu, então o eleitor que não quer o PT está distribuído entre o Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e Sebastião Melo (MDB). Acredito que, na reta final, os eleitores irão escolher um dos dois para enfrentar a esquerda, e possivelmente o candidato que for para o segundo turno com a Manuela pode vencer”.

O cientista político cogita um dos cenários. “Se o adversário for o Marchezan, devido à rejeição a Manuela, ele tenha chances de vencer. Se for outro concorrendo com ela no segundo turno, a impressão que tenho é que o concorrente possa ganhar”, explicou Moura.

Os candidatos

Paulo Moura fez um panorama dos principais aspirantes ao executivo porto-alegrense conforme apontam as pesquisas e das intenções que os movem. De acordo com o especialista, existe um sentimento antiesquerda e que nenhum dos dois candidatos que são adversários da Manuela D’Ávila conseguiram atrair para si esse sentimento, por que de certa forma são candidatos de centro-esquerda.

O candidato Nelson Marchezan Júnior, embora tenha recebido na eleição passada os votos da direita, e o PT tenha construído a ideia de que o seu partido, PSDB, seria de direita, é, na verdade, social-democrata e de origem centro-esquerdista.

No caso de Sebastião Melo, por sua história política, sempre se posicionou pela centro-esquerda. A diferença é quem nesta eleição, Melo conta com um vice-prefeito (Ricardo Gomes) liberal e atraiu a aliança com o PRTB, partido que no Brasil inteiro abrigou bolsonaristas e uma ala da direita mais conservadora. Para o especialista, o ex-vice da prefeitura tem o desafio de buscar esse voto mais à direita. Se algum dos três conseguir deslanchar e mostrar que tem esse poder, vai para o segundo turno”, explicou Moura.

 

Número de candidatos

O cientista político Paulo Moura explica a razão do número expressivo de candidato à prefeitura da capital, fenômeno esse que ocorreu, aliás, em várias cidades do Brasil. Segundo ele, isso está relacionado com o fim das coligações proporcionais. A legislação eleitoral proibiu que, a partir dessa eleição, os partidos se utilizassem da coligação de forma a que os pequenos partidos pegassem carona nos grandes. Estes, por sua vez, entregavam alguns segundos de propaganda em TV e rádio na expectativa de eleger alguém na carona de um partido grande e depois ganhavam vaga no Governo se o candidato do partido grande se elegesse. Isso não pode mais.

Agora, os partidos foram forçados a lançar candidatos próprios e nominatas numerosas para vereador para tentar reforçar suas legendas. “Isso aconteceu no país inteiro. É recorde no número de candidatos a prefeito e vereador e a causa disso é a legislação”, explicou Paulo Moura. De acordo com ele, a estratégia dos partidos é tentar fazer o maior número de votos possível para eleger bancadas numerosas. Quando um partido tem candidato a prefeito, faz o marketing da legenda. A expectativa do partido é, assim, captar o voto do eleitor fazendo a propaganda além dos candidatos a vereador para um candidato majoritário.

Diferença dessas eleições

Paulo Moura avalia que a pandemia provocou um impacto desmobilizador da campanha de rua. Está relacionado também com a falta de dinheiro, a não ser os candidatos que receberam altas quantias do fundo eleitoral ou que tem dinheiro próprio. Conforme análise do especialista, não há praticamente campanha de rua, poucas carreatas e quando há geralmente são militâncias pagas. “Não é uma campanha na qual eles não estão angariando adesão espontânea da população. É uma campanha fria, sem emoção e sem mobilização”, finalizou.

Publicado em: 12 de novembro de 2020

Compartilhar:

Recomendados:

23 de dezembro de 2020

Os desafios de um 2020 de olho em 2021

O ano de 2020 foi desafiador. O primeiro demonstrativo de que algo muito [...]


Ler mais
10 de dezembro de 2020

Diálogo Jurídico abordou a implementação da LGPD na ACPA

O evento online Diálogo Jurídico, que aconteceu nessa quinta-feira (10/12), [...]


Ler mais
10 de dezembro de 2020

Embaixador do Uruguai participa de reunião na ACPA

O Embaixador do Uruguai, Guillermo Vallesa, participou de um evento na [...]


Ler mais